Bebidas coreanas: 81 rótulos que você vê nos dramas, explicados um a um
Soju, makgeolli, cerveja, chá de cevada, banana milk, café de sachê e as bebidas anti-ressaca.
Cada ficha traz o que é, o sabor, como se bebe na Coreia, com o que combina, quanto custa lá
e onde procurar aqui no Brasil.
São 81 bebidas — por onde você quer começar?
Toque em uma das categorias acima, use os filtros ou digite o nome de uma bebida, de uma marca
ou uma palavra em coreano na busca. As fichas aparecem aqui.
Como ler a pronúncia: ela é escrita para brasileiro, não para inglês.
h = r aspirado de “rato” · r = r brando de “caro” · ó = ó aberto ·
ô = ô fechado · ê = ê fechado · dj como em “adjacente” ·
tch como em “tchau” · u também vale para um som que não existe em português,
feito com a boca esticada. Dentro de cada ficha há também a romanização oficial, que é a
que aparece no rótulo e nas buscas do Google — por isso 진로
se escreve “Jinro” e se fala “Djillo”.
Nenhuma bebida com esses filtros. Tente outra palavra ou toque em Limpar filtros.
🍻 Como se bebe na Coreia: 6 regras que ninguém explica ao turista
Beber junto é ritual social, e o ritual tem regras. Errar não ofende ninguém — acertar impressiona todo mundo.
Nunca encha o próprio copo. Você serve os outros, os outros servem você. Copo vazio de alguém à mesa é convite para você pegar a garrafa.
Sirva e receba com as duas mãos quando a pessoa for mais velha — ou com a mão direita e a esquerda apoiando o antebraço.
Vire o rosto para o lado ao beber diante de alguém mais velho, cobrindo o copo com a mão. É sinal de respeito, não de vergonha.
Espere o brinde. A primeira dose sai junto, com 건배 ou 짠, e o copo de quem é mais novo fica um pouco mais baixo no encontro.
Álcool anda com comida. Beber sem 안주 (o petisco que acompanha) é malvisto — e é o que separa a ressaca leve da terrível.
A noite tem rodadas numeradas: 1차 no restaurante, 2차 no bar, 3차 no karaokê. Recusar a próxima rodada é aceitável; sair sem avisar, não.
건배!
Gónbê!
Saúde! (brinde formal)
짠!
Tchan!
Tim-tim! (entre amigos)
한 잔 더 주세요
Han djan dó djussêyo
Mais um copo, por favor
저는 술 못 마셔요
Djónun sul mot maxóyo
Eu não bebo álcool
원샷!
Wonchat!
Vira tudo de uma vez!
안주 뭐 시킬까요?
Andju mwó chikilkayo?
O que a gente pede para comer?
⚠️ Este guia é cultural e informativo. Bebida alcoólica é proibida para menores de 18 anos —
na Coreia, a idade legal é contada pelo ano de nascimento e vale a partir do ano em que se completa 19 anos.
Se for dirigir, não beba: a tolerância coreana é de 0,03% de álcool no sangue, uma das mais rígidas do mundo.
🇰🇷 Saber o nome da bebida é o começo; entender o que dizem na mesa é o resto.
Ler o rótulo do soju, pedir 한 잔 더 sem apontar
e entender a piada do brinde vêm juntos — comece pelo Método HanguGO.
Preços e teor alcoólico são os do rótulo coreano atual e mudam com o tempo — o Chamisul já foi 25% e hoje é 16,5%.
Os links de compra são buscas nas lojas, não anúncios específicos, então continuam funcionando quando um vendedor sai do ar.
Bebidas coreanas: o guia completo do soju ao leite de banana
Você já reparou que em drama coreano ninguém bebe sozinho?
A garrafa verde aparece na cena da mesa de churrasco, o copinho é servido por outra pessoa, alguém vira o rosto para o lado antes de beber e o grupo inteiro levanta o copo ao mesmo tempo. Depois vem a tigela branca leitosa no restaurante de panqueca, o potinho gordinho de leite de banana na sauna, a garrafinha marrom de farmácia na manhã seguinte.
Bebida, na Coreia, quase nunca é só bebida: é o que organiza a mesa, a hierarquia, a comemoração e a ressaca do dia seguinte. Este guia reúne várias bebidas coreanas explicando o que é cada uma, que gosto tem, como se bebe por lá, com o que combina e onde procurar aqui no Brasil.
Soju (소주): a garrafa verde que todo mundo reconhece
O soju é o destilado mais vendido do mundo em volume, e o 참이슬 (Chamisul) sozinho responde por boa parte disso. Hoje ele tem 16,5% de álcool, o mesmo rótulo já teve 25% nos anos 1970, e cada meio ponto a menos virou notícia de jornal na Coreia.
O que você precisa saber para não passar vergonha:
Soju não é sake. Sake é fermentado de arroz, com uns 15%. Soju é destilado e diluído, quase neutro no sabor.
진로 se fala “Djillo”, não “Jinro”: em coreano, ㄴ antes de ㄹ vira ㄹ. É a pegadinha de pronúncia da bebida mais famosa do país.
O soju de fruta (toranja, uva verde, morango) tem 13% e sabor de refrigerante. É a porta de entrada da maioria dos estrangeiros e o que se acha mais fácil no Brasil.
Existe soju caro. 화요 (Hwayo), 안동소주 (Andong Soju) e 문배주 (Munbaeju) são destilados de verdade, de 25% a 45%, e nada têm a ver com a garrafa verde de conveniência. O Munbaeju é Patrimônio Cultural Imaterial e já foi servido em cúpula entre as duas Coreias.
Makgeolli (막걸리): a mais antiga e a mais barata — que virou artigo de luxo
Leitosa, levemente ácida, com gás natural e uns 6% de álcool. Por séculos foi a bebida do lavrador, servida em tigela de barro e chegou a carregar fama de “bebida de pobre”.
Hoje Seul tem bares dedicados a ela, e a garrafa 해창 롤스로이스 passa de ₩110.000. O makgeolli continua vivo: fermenta na geladeira, o sedimento assenta no fundo (por isso se gira a garrafa antes de abrir) e o sabor muda de um dia para o outro.
A combinação nacional é makgeolli com 파전 em dia de chuva. Existe até explicação folclórica: o barulho da chuva no telhado lembra o da massa fritando na frigideira.
Cervejas (맥주): leves de propósito
Cerveja coreana é criticada por ser aguada e é aguada de propósito. Ela não existe para ser bebida sozinha: existe para acompanhar carne gordurosa e comida apimentada, e para entrar no 소맥 (somaek), a mistura de soju com cerveja que é o coquetel nacional.
Duas palavras que aparecem em todo cardápio:
치맥 (chimaek) = frango frito com cerveja. É quase um esporte nacional.
소맥 (somaek) = soju com cerveja, servido em copo de chope, na proporção que cada mesa jura ser a correta.
E há a onda das artesanais de loja de conveniência: a 곰표 밀맥주, feita com a marca de farinha 곰표 de 1952, esgotou no país inteiro em três dias.
Chás (차): quase nenhum é feito de folha de chá
Este é o mal-entendido mais comum. Na Coreia, 차 cobre qualquer infusão — e a maioria não tem folha de chá nem cafeína:
보리차 (cevada torrada) é a “água” da casa: sai da jarra da geladeira no verão e da chaleira no inverno. Pedir “água” num restaurante no inverno costuma trazer boricha morno, e é isso mesmo.
유자차 e 생강차 não são infusões, são conservas: casca de cidra ou gengibre curtidos em mel, dissolvidos na água quente. É a farmácia caseira coreana para garganta e frio.
옥수수수염차 (chá de barba de milho) é engarrafado e vendido como bebida que “desincha” — virou categoria inteira depois de uma campanha nos anos 2000.
Refrigerantes e sucos: as invenções que só existem lá
밀키스 (Milkis): refrigerante com leite em pó. Parece impossível e funciona.
맥콜 (McCol): refrigerante de cevada, com cara de cola e gosto de chá tostado. Nos anos 1980 vendeu mais que a Coca-Cola no país.
칠성사이다: o lima-limão de 1950, a marca de bebida mais antiga da Coreia ainda em produção. É por causa dele que 사이다, na gíria dos dramas, virou sinônimo da cena que resolve tudo e dá alívio.
갈아만든 배: suco de pera com polpa, comprado às vésperas de uma noite de bebida — é o anti-ressaca mais popular que não vem de farmácia.
Leite de banana, café de sachê e as bebidas de todo dia
O 바나나맛 우유 da Binggrae, no pote com formato de jarro de cerâmica, existe desde 1974 e vende mais de 250 milhões de unidades por ano. Tomar um deles com ovo cozido dentro do 찜질방 (a sauna coreana) é cena obrigatória de drama.
E o país que tem uma das maiores densidades de cafeterias do mundo também vive de café instantâneo: o 맥심 모카골드 em sachê está em toda copa de escritório, hospital e escola. O 카누, o americano em stick, se vende com o slogan “o menor café do mundo”. E existe uma regra nacional resumida na sigla 얼죽아 (얼어 죽어도 아이스 아메리카노): “mesmo morrendo de frio, americano gelado”.
As tradicionais sem álcool
식혜 (arroz doce com malte, com os grãos boiando) e 수정과 (canela com gengibre e caqui seco) são as sobremesas líquidas das grandes datas — e as duas se acham em lata na conveniência. O 미숫가루, mistura de grãos torrados batida no leite gelado, era merenda de fazenda e voltou à moda como shake de proteína.
A indústria da manhã seguinte (숙취해소)
Poucos países têm uma prateleira inteira dedicada à ressaca. O 박카스, tônico com taurina na garrafinha marrom, está nas farmácias desde 1961 e é presente padrão para quem está trabalhando duro. O 컨디션 se toma antes de beber. E o 여명808 leva no nome o número de tentativas que o inventor diz ter feito até acertar a fórmula.
As 81 bebidas, uma a uma
Explore o guia completo abaixo. Filtre por categoria, por teor alcoólico, por temperatura ou por “o que dá para comprar no Brasil”. Toque em qualquer bebida para ver a ficha completa, com o sabor, o modo de beber, a curiosidade cultural e os links de busca nas lojas.
Onde comprar bebida coreana no Brasil
Os links de cada ficha abrem uma busca no Mercado Livre, na Amazon e na Shopee — busca, e não anúncio específico, porque anúncio expira e a busca continua valendo.
O que dá para achar com facilidade:
Soju de fruta e Chamisul — em supermercado de bairro asiático e nas grandes lojas online.
Aloe Vera King, leite de banana, café Maxim e KANU, yuja-cha — idem.
Makgeolli — quase sempre a versão de exportação (국순당), refrigerada. Makgeolli que ficou quente na prateleira azeda: confira a data e a refrigeração.
Cerveja coreana, chás engarrafados e anti-ressaca — importadores online e mercearias orientais.
O que praticamente não se acha: os destilados tradicionais (문배주, 이강주, 감홍로, 안동소주), os makgeollis artesanais e a maior parte dos refrigerantes regionais. Nesses casos a ficha diz o que procurar — e, quando dá, ensina a fazer em casa.
Presencialmente: em São Paulo, o Bom Retiro e a Liberdade concentram mercados coreanos com quase tudo desta lista. No Rio e em Curitiba, procure as mercearias orientais do centro.
Perguntas frequentes
Soju é a mesma coisa que sake?
Não. Sake é vinho de arroz fermentado, com cerca de 15%. Soju é destilado e diluído, com 16% a 20% no rótulo comum, e sabor quase neutro.
Qual bebida coreana é boa para quem nunca provou?
Soju de uva verde ou toranja (13%, doce) e makgeolli (6%, leitoso e leve). Sem álcool, o Milkis e o leite de banana.
Makgeolli precisa de geladeira?
Sim, o 생막걸리 (não pasteurizado) precisa. Ele continua fermentando: fora da geladeira, azeda e estufa a garrafa.
Qual é a idade legal para beber na Coreia?
A contagem é por ano de nascimento: pode-se beber a partir do ano em que a pessoa completa 19 anos. No Brasil, 18.
O que é somaek?
소맥 é soju misturado com cerveja, na proporção que cada mesa considera a certa. É a mistura mais pedida do país.
Dá para fazer alguma dessas em casa?
Várias. Dalgona coffee, misugaru, hwachae, maesil-cha, sikhye, sujeonggwa, chá de cevada e o licor de ameixa (매실주) têm o modo de preparo na própria ficha, dentro do guia acima.
Beber junto é aprender junto
Saber o nome da bebida é o começo. Entender a piada do brinde, ler o rótulo e pedir 한 잔 더 sem apontar para a foto vem junto com o idioma — e é isso que o Método HanguGO ensina, do Hangul à conversa de mesa.
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Convite especial daProf. Aileen
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